De Paris para Blois

Ontem foi nosso último dia de passeios por Paris, hoje nos restou dizer adeus a cidade, pegar “nosso” carro e nos dirigimos para o Vale do Loire. Claro que isso não seria assim tão simples. Sair de Paris de carro é complicado, tem bastante transito, até parece São Paulo. Fiquei com a impressão de que qualquer pessoa que consegue sobreviver no transito de São Paulo tira de letra o transito em outras cidades. O GPS nos salvou e nos colocou na rota correta para Blois.

A estrada estava super movimentada, acho que eles estão de férias, ou algo assim, pois os carros estavam todos lotados, com crianças, bicicletas, animais de estimação… Paramos num posto no meio da A10 para almoçarmos. Incrível é que até a comida de um posto de gasolina na frança consegue ser boa. Tínhamos bastante chão pela frente, e a voz do GPS foi nos guiando. Fomos amadores em não analizar a rota que o GPS criou, seria bem mais fácil do que confiar no aparelho. Aqui as placas da estrada realmente informam as direções.

Chegamos em Blois, que foi capital francesa lá por 1500 ou 1600, estávamos cansados da estrada. O hotel que reservamos na véspera era bom e muito bem localizado, quase na frente do Châteu de Blois. Logo saímos para a rua, para visitar o castelo e ver a cidade. O castelo é bastante interessante, foi construído em partes, cada rei fez um bloco. São vários estilos de arquitetura reunidos em uma praça. Hoje começou a temporada do show de Luz e Música do castelo, aproveitamos para comprar o ingresso conjuto.

Visitamos todo o castelo e ainda era cedo, tínhamos algumas horas até o show de Luz e Música. Passeamos pelo centro de Blois, uma cidade muito charmosa, com bastante história para contar. Entramos na melhor loja de coisas para chá e café, queria comprar a loja inteira, ainda bem que eles já estavam fechando.

O show começou pontualmente às 22h, realmente vale a pena. Mesmo eu que não entendo francês achei legal. A Nanda entendia a narração e achou mais legal ainda. Nosso único problema foi não termos planejado a janta antes do show. Quando acabou, às 22h30, todos os restaurantes da cidade estavam fechados. Então, cuidado, no interior da frança tudo fecha às 22h, sem perdão.

Despedida de Paris…

Último dia útil em Paris, começamos explorando o Canal Saint Martin. Pouco conhecido dos turistas, mas um local muito bonito. Segundo um amigo meu a noite é mais legal de visitar, pois fica iluminado e cheio de bares nas bordas do canal. O canal liga o Sena até o parque de La Vilette, dá para ir a pé, seguindo as margens do rio até o parque. Não fizemos isso, pois tinhamos outros destino ainda nesta manhã.

Próxima parada, Opéra National de Paris – Garnier. Para chegarmos lá, passamos pela Gare de l’Est, que a Nanda aproveitou para conhecer, foi a primeira estação de trem que ela entrou. Várias outras estão no planejamento da viagem. Chegamos na Opéra e descobrimos que o ingresso do Musée d’Orsay dão direito a tarifa reduzida no ingresso para a visita. A Opéra é incrível! É um misto de opulência e beleza, com a bela pintura do teto pelo Chagall. Só visitando para entender. Só fiquei na dúvida se eu conseguiria assistir um espetáculo ali, acho que passaria o tempo inteiro descobrindo os detalhes do teto, colunas, etc…

Saímos da Opéra e caminhamos com calma em direção ao Jardin des Tuileries, passando no caminho por outra zona chique de Paris, a Place Vendôme. Ali estão situados diversas lojas de marcas luxuosas, assim como o hotel Ritz. Chegamos no Jardin e era hora de almoçar. Compramos sanduíches em um dos quiosques e comemos na sombra das árvores. O sol estava derretendo, ainda bem que já tem folhas nas copas das árvores. Depois da pequena comilança, caminhamos meio sem rumo pelo jardim, passamos na frente do Louvre e fomos até a margem do Sena.

A essa hora, já estavamos um pouco cansados, e queriamos comprar mais algumas coisas em Paris, afinal, era nosso último dia útil. Fomos para a Champs-Élysées e voltamos na FNAC e Sephora. Dessa vez eu comprei uma mochila para carregar a máquina e um flash SB-700. Pós compras, entramos na Ladurée, famosa confeitaria francesa. É bastante fácil ir a falência entrando nessa confeitaria. Os doces são lindos, e muito, muito bons, a única coisa ruim é o preço.

Carregados, fomos para o hotel, precisávamos achar um hotel para ficar no Vale do Loire. Jantamos no mesmo local do primeiro dia, um outro super omelete. Não consigo entender se alguém consegue comer um omelete daqueles sozinho, tem 500g de batata, mais ovos, mais o recheio e queijos, WOW!

Dicas para Paris

  • Mapa “Paris Tourisme – Paris Travel Kit” que existe nas estações de Metrô é muito bom, com as principais ruas e todas as paradas do metrô. Vale a pena pegar um e levar sempre consigo.
  • Façam um Navigo (antigamente era a Carte Orange, que foi modernizada e virou um cartão), apesar da semana começar na segunda para o ticket semanal, é a forma mais barata de se locomover em Paris. Lembrem-se de levar uma foto para fazer o cartão.

Île de la Cité… Tour Eiffel

Dedicamos o dia para explorar a Île de la Cité, acabamos acordando um pouco mais tarde que o normal, estávamos cansados dos primeiros dias de turismo intenso. Tomamos o generoso café da manhã do hotel, e partimos para a Ilha. Descemos do metrô na estação Cité e nos deparamos com o belo e florido Marché aux Fleurs. O mercado estava todo florido, com tudo quanto é tipo de planta. Aproveitamos para fazer algumas fotos, afinal, mesmo que o verde brasileiro seja exuberante, não encontramos mercados de flores assim por lá.

Fomos para nosso primeiro item na lista de coisas na Île de la Cité: a Saint Chapelle. Na minha primeira ida a Paris não visitei, mas dessa vez fiz questão. Os vitrais são lindos. Dá para passar horas admirando-os. A parte de baixo da capela ficou um pouco prejudicada pela loja para turista que criaram ali. Sei que sou turista, mas sinceramente, turistas estragam alguns lugares…

Continuamos nosso passeio pela Notre Dame, que só tínhamos visto pelo lado de fora no primeiro dia. Na primeira vez que visitei a igreja achei ela mais bonita, talvez pelo fato de tudo ser novo. Dessa vez só achei ela bonita, mas sempre vale a visita. Já era hora de almoçarmos, então caminhamos em direção a Île de Saint Louis. Lá comemos dois belos sanduiches e um quiche loraine, sentados na beira do Sena. Nada mal! Para terminar o almoço experimentamos o sorvete da famosa Berthillon. É bom, mas não achamos de outro mundo.

Saimos das ilhas e suas belezas para visitarmos o museu da Fundation Cartier-Bresson, em Montparnasse. Pra quem gosta de fotos, vale a visita. Sempre há ótimas exposições de fotos, dessa vez estava expostos trabalhos do fotografo David Goldblatt, com ótimas fotos P&B da Africa do Sul. Quando saímos da exposição já estava na hora do lanche da tarde, afinal, tínhamos mais itens na agenda. Comemos uma bela tortinha de framboesa, enquanto caminhávamos por Montparnasse. Passamos na frente da Fundation Cartier, que fica completamente diferente com vegetação no meio do prédio.

Hora de rever e subir na Torre Eiffel! Pegamos o metrô, e algumas estações depois estávamos do lado da torre. Por incrível que pareça, quase não havia filas e o dia estava lindo, céu azul, sol e calor. Subir na torre é sempre divertido e a vista é linda. Como havíamos coordenado o horário, chegamos lá em cima a tempo de assistir o pôr-do-sol. É muito bonito! Ficamos lá em cima admirando a vista, mas conferindo o horário, para assistir do trocadero o “show” de luzes da torre. Às 21h estávamos no Trocadero, esperando o espetáculo.

Terminamos o dia comendo um verdadeiro hamburguér a la française, estava delicioso, assim como o dia.

Comidas

Na outra vez que a Nanda veio a Paris, ela não aproveitou todos os cafés, restaurantes, boulangeries, etc… Dessa vez a viagem vai ficar marcada pelas comidas francesas. Mas antes de irmos almoçar, demos uma passeada por Montmartre. Começamos visitando a Sacré Cour. Obviamente fomos atacados por um daqueles marginais que ficam na escada, berrei um sólido “Non” e apertei o passo. Evitei o pior, mas é muito chato ter que passar por isso. Também fiquei com a impressão que a frança empobreceu em 3 anos, haviam muito mais marginais e vendedores ambulantes.

A Nanda adora a Sacré Coer e ficou bastante emocionada vendo a igreja. Depois de visitarmos a igreja, caminhamos por Montmatre. Vimos as videiras e todos os corredores de casas antigas que ali estão. Descemos o morro, e ao invés de pegarmos um metrô, resolvemos caminhar até o nosso almoço.

Chegamos tranquilamente no Chartier, depois de uns 20 minutos de caminhada. O Chartier é um restaurante que existe desde de 1896, no mesmo local. A comida é típica francesa e o local é bastante legal de visitar. Nos deliciamos com um steck au poivre e um steck grillé. A Nanda teve que pedir para eles passarem mais a carne, ela veio quase mugindo na primeira vez. Se o pranto principal estava ótimo, as sobremesas foram espetaculares. Comi um coupe mont blanc e a nanda comeu um gigante profiterole com sorvete e calda de chocolate. Saímos de lá rolando, e o preço não foi nenhum absurdo: €36,70 para os dois.

Já que estavamos perto da Gallerie La Fayette, resolvemos visita-la. A visita rendeu um óculos escuro para a Nanda e mais umas mantinhas, para aguentar o frio. Quase na frente da Gallerie há uma Apple Store (além da Opéra obviamente), que obviamente tive que visitar, a segunda em Paris! Passeamos pelo arredores da Opéra, mas como ela já estava fechada para visitação, deixamos para outro dia.

Continuamos nossa pequena caminhada indo até a Igreja Madeleine e em seguida pela Rue de Rivoli. A Angelina estava fechada para um evento e não podemos experimentar o famoso chocolate quente, pena! Terminamos o dia jantando uma pizza perto do hotel e completamos a janta com um créme brúlle!

Caminhar e caminhar e caminhar…

Nada melhor para conhecer uma cidade do que caminhar por ela, teus pés provavelmente dirão o contrário, mas vale o esforço. Saímos do hotel cedo, mas sem rumo muito certo, só sabiamos que iamos visitar a L’Orangerie à tarde. O dia estava absurdamente gelado, mas achamos que estava tranquilo para caminharmos, descemos em direção ao Sena até a altura de Les Halles – que está em plena demolição e reconstrução (ainda bem, era muito horrível).

Como estavamos perto do Palais Royal, resolvemos seguir até lá, passando pelo prédio da Bolsa e os fundos do Louvre. Um pedaço do jardim está fechado para reformas, mas conseguimos ver o trabalho do Daniel Buren. Sempre (duas vezes) que vejo esse trabalho acho ele bastante divertido! A Nanda também gostou e o jardim estava lindo. A essa altura a Nanda já estava congelando, tivemos que voltar para o hotel e colocar mais roupa.

Vestidos para o frio, caminhamos até a Republique, onde iamos pegar o metrô em direção a L’Orangerie. Como já era tarde, resolvemos almoçar por ali. Entramos num café que tinha como menu do dia bifé com molho de pimenta verde. Estava muito bom, como vocês podem ver na foto.

A L’Orangerie é linda! As ninféias do Monet continuam nas top 10 pinturas para mim. A Nanda ficou emocionada com as pinturas. Depois do Monet, vimos o subsolo do museus, com seus vários quadros de pintores modernistas. Vale a visita!

Saíndo do museu, resolvemos caminhar um pouco mais, afinal, mal tinhamos aquecido. Passamos pelas pontes na margem do Sena, e acabamos na frente do Grand Palais e Petit Palais. Como o Petit Palais estava fechado, entramos no Grand Palais. O grande Hall do palácio estava fechado, a última exposição acabou uns 3 dias antes – pena não vai ser dessa vez que irei visitar o interior da abobada de vidro. Vimos uma exposição sobre os primeiros pintores de paisagem na Itália, muito bonito! Também vimos uma exposição de Lam, Picasso e ….. bastante interessante, pena que eu não sei francês. Afinal …. era um poeta. A Nanda aproveitou mais a exposição e gostou dos poemas.

Saímos do museu e caminhamos pela Champs-Elysées, acabamos comendo um doce na Paul. Nada de outro mundo, mas era o que estava mais fácil e perto no momento. Após o lanche, caminhamos por uma das ruas chiques da cidade: George V. Lá estão diversas lojas de grifes, e a rua é bem bonita. No final da rua está a Ponte D’Alma, onde a Lady Di morreu. Ainda há flores por ali! Já que estavamos do “lado” da torre, resolvemos caminhar até lá. A Nanda estava totalmente feliz e empolgada de estar embaixo da torre novamente. Ela finalmente conheceu o lado “certo” da torre, a vista do Trocádero. Esperamos a torre acender e depois começar a piscar (às 21h, e durou 5 minutos).

Encerramos o dia comendo um prato de Spaghetti a bolognesa e um “capeletti” de presunto parma. Chegamos exaustos, mas felizes no hotel. O dia foi bastante produtivo!