Museus

Mais um dia em Berlin, dessa vez fomos de carro até a cidade. O transito daqui é muito diferente do brasileiro, eles respeitam as faixas, os sinais e os pedestres! Se há três pistas na avenida, mas duas são para dobrar a esquerda cinco quadras depois, eles só utilizam a única pista para seguir em frente. Imagina se isso daria certo no brasil! Outra coisa engraçada, eles esperam o sinal ficar verde para atravessar! Pode não ter nenhum carro no horizonte e assim mesmo eles não atravessam! É incrível!

No caminho para o centro passamos pela Kufürsten Straße, a famosa rua de comércio do ocidente. Ela lembra um pouco a Champs-Elysees em Paris, cheia de lojas chiques, prédios imponentes (mas não necessariamente bons) e restaurantes caros. Essa rua foi o centro comercial da cidade durante os anos de guerra fria e aparenta bastante ser algo ocidental (mais sobre o equivalente na DDR no próximo post).

Tentamos ir no museu Martin-Gropius-Bau, mas como começou a Berlinale (festival de filmes de Berlin) o prédio inteiro estava fechado para o evento. Ao lado do museu está a linha do tempo Topographie des Terrors (Topografia do Terror). A linha do tempo está situada no que sobrou do subsolo da antiga sede da polícia nazista (SS), mais precisamente nas salas de tortura. Achava que seria algo forte de se ver, mas foi muito pior do que eu pensava. Não tem como descrever o que eu vi, convido a todos a visitarem o local e tirarem suas próprias conclusões. Só posso dizer que o regime nazista foi muito pior do que podemos imaginar.

Ah, um fato interessante, na frente desse prédio está o antigo ministério da aeronaútica nazista, hoje ocupado pelo ministério da fazenda, todos os prédios das quadras vizinhas foram completamente devastados pelas bombas. O único prédio que não aconteceu nada foi o ministério da aeronaútica! Do prédio da SS só sobrou o subsolo. Não consigo entender como eles não acertaram o ministério….

A poucas quadras dali está Philarmonie, prédio projetado pelo arquiteto Hans Scharoun. Todos os dias às 13h há uma visita guiada pelo prédio, chegamos lá a tempo de fazermos a visita. Em cerca de uma hora visitamos as duas salas de concerto do prédio (a segunda sala foi feita por outro arquiteto, pupilo do Scharoun ou algo assim). O grupo que fez a visita era pequeno, com umas 7 pessoas, duas eram espanholas e não falavam alemão. A guia disse que faria o passeio bilingue, alemão e inglês. No inicio até que ela traduziu bastante para o inglês, mas lá pela metade esqueceu completamente que devia traduzir! As espanholas boiaram completamente nas explicações, mas acho que só ver o prédio basta!

A sala da filarmônica é toda recortada com diversos planos inclinados, mas sempre segue um eixo de simetria na sala. A orquestra fica no meio da platéia e a visibilidade de qualquer um dos assentos é ótima. O prédio também foi todo pensado para ter a melhor acústica possível, os diversos ângulos formados pela platéia ajudam para que isso aconteça. O teto da sala também foi projetado para ser acusticamente perfeito, entre o teto que vemos na sala e o telhado do prédio há um enorme vazio, para o som ocupar. Tirei muitas fotos do prédio. A segunda sala, de música de camâra, não é tão interessante quanto a primeira, mas também é muito boa. Vale a pena fazer essa visita!

Depois da visita o Hartmut voltou para casa e eu completei meu dia indo em dois museus. Primeiro fui na Neue Nationalgalerie, museu de arte moderna e contemporânea, projetado pelo Mies van der Rohe. A sala principal do museu é toda feita de vidro, aço e marmore e ali acontecem as exposições temporárias, dessa vez estava um enorme labirinto do artista Jannis Kounellis. No subsolo há as salas com o acervo do museu, o acervo é bastante diversificado. Na primeira sala que eu entrei estavam alguns trabalhos do Ellsworth Kelly e do Barnett Newman, as cores são de tirar o folego. Também há uma enorme série de trabalhos do Munch e diversos trabalhos de artistas alemães. O museu não é enorme, tem um tamanho bom para ser visitado.

Para completar o dia fui até a Gemäldegalerie, que fica ao lado da Neue Nationalgalerie, no prédio do KunstForum. O prédio como arquitetura é deplorável, até agora acho que foi o pior prédio que eu entrei na europa, lembra um pouco uns prédios de Torres que não sabem o que fazer com as escadas… Mas o acervo do museu é ótimo, ele é formado por pinturas de 1500 até 1800. Há diversos quadros ótimos, como Canaletto, Tizian, Vermeer, de Witte, Rembrandt, Rubens, Bruegel, Cranach e Dürer. Em Amsterdam vi muitos Rembrandts, mas aqui havia ainda mais, junto com alguns trabalhos dos seus alunos. Foi ótimo de ver!

Quando eu entrei nesse museu, achei que ele fosse pequeno, mas depois de quarenta minutos caminhando pelas salas ainda não tinha chegado ao outro lado do museu! No fundo do museu estão as pinturas mais recentes, como Rembrandt, Vermeer, etc. Dá para passar diversas tardes lá dentro, observando cada um dos quadros. Depois de um longo dia, peguei o S-Bahn para casa.

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